domingo, 16 de janeiro de 2011

Global Warming or just another Bubble?

"O ritmo de extracção dos recursos naturais e o crescendo das emissões poluentes resultantes da indústria e dos transportes, foram acelerados à medida que o modo de produção capitalista se impôs mundialmente. Este modo de produção, a par da sua força revolucionária inicial, é, por natureza, predatório e desregulado. E o seu poder adaptativo tem, inclusive, o condão de contaminar as alternativas políticas e económicas socialistas que se formaram em diversas regiões eurasiáticas, pressionando-as a “competir” com ele em vários tabuleiros e, assim, levando-as a não conseguirem originar um forma de produção industrial alternativa e sustentável. E, quando não vai lá através do binómio competição-sedução, recorre aos bloqueios ou à agressão bélica."
Demétrio Alves

Esta coisa do aquecimento global sempre me fez um pouco de espécie. A partir do momento que vi o "The Inconvenient Truth" (2006) do Al Gore fiquei a achar que as excessivas emissões de CO2 que fazemos seriam um grave problema dentro em breve. Por outro lado, vi alguns climatólogos vir dizer que ele era um alarmista e interesseiro, porque ainda não havia provas científicas concretas que existia uma correlação entre a grande quantidade de CO2 existente na atmosfera e a subida das temperaturas.

Nos anos seguintes assistimos a um novo tipo de marketing intitulado "Greenwash", em que o objectivo seria dar à opinião pública uma imagem ecologicamente responsável dos serviços ou produtos prestados por uma empresa, tendo no entanto a organização uma actuação contrária aos interesses ecológicos. Hoje em dia todos os produtos são amigos do ambiente. Este fenómeno mostrou o poder adaptativo e maléfico do capital.

Obviamente que passar para um consumo energético sustentável é o futuro, mas existem problemas muito mais importantes que este para já. As desigualdades sociais, a pobreza, a educação para todos, a perda de biodiversidade, o acesso à água potável nalgumas populações, o consumo desmedido de matérias-primas, são questões tão ou mais importantes mas que não têm tido tanto patrocínio financeiro devido, principalmente, a não serem tão lucrativas como as energias renováveis.

Outro argumento muito bem descrito neste texto acima é que as energias renováveis servem de ataque aos BRIC (Brasil, Rússia, India e China). São países a crescer muito mais que os ocidentais e que por isso já são potências Geopolíticas que podem ferir a Hegemonia Imperialista Anglo-Saxónica. Dizer como foi dito em Copenhaga que estes países têm de reduzir as emissões poluidoras é não olhar para a própria história sabendo que a supremacia actual Ocidental foi conseguida através da Revolução Industrial.
A maioria das emissões que foram feitas em termos temporais são dos países desenvolvidos. Eles têm uma dívida ecológica para com os países em desenvolvimento. É um problema complexo porque não temos moral para impedir que os países mais pobres usem a energia mais barata (petróleo) para se desenvolver como nós fizemos, por outro lado, se isso acontecer as populações gigantescas dos BRIC vão poluir tanto que aí sim os problemas ecológicos serão sérios.

Veremos...

O texto acima vale o tempo despendido nele.

Hugo Confraria

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