sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Capitalismo Versus Ciência

"A humanidade em nossos dias esta sendo contida por um sistema com o objetivo de escravizar-se a maioria em benefício de uma minoria. Todo e qualquer aspecto do desenvolvimento humano é prejudicado pelo erroneamente denominado mercado livre."
Mike Palacek

Um grande artigo que desconstroi o mito que o capitalismo consegue criar mais avanço tecnológico, inovação e motivação que outras formas socialistas de organização.

Hugo Confraria

(link no título)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O dilema do prisioneiro...

http://www.youtube.com/watch?v=p3Uos2fzIJ0



Devo os direitos de autor de partilha deste video ao Luís Fonseca, colega de faculdade...

É interessante assistir a este video, principalmente aos olhos de um economista e de quem gosta de estratégia e teoria dos jogos. Um exemplo bastante interessante do dilema do prisioneiro =)

Mesmo para quem nunca estudou economia, penso que é super interessante, até porque este programa tv é uma boa fonte de análise dos comportamentos individuais em contexto de competição.

Estímulos

We were saying how very important it is to bring about, in the human mind, the radical revolution. The crisis is a crisis in consciousness; a crisis that cannot anymore accept the old norms; the old patterns; the ancient traditions. And, considering what the world is now, with all the misery, conflict, destructive brutality, aggression, and so on, man is still as he was: is still brutal, violent, aggressive, acquisitive, competitive, and he has built a society along this lines.“ - Jiddu Krishnamurti

A ideia de que a sociedade está construída em cima de valores errados é muito importante para perceber a direcção em que devemos ir.

Nós somos, praticamente, a soma de todas as experiências que tivemos, existe uma opinião nossa, que é singular no mundo, mas que é feita a partir de todas as vivências e sentimentos que já passámos. Logo, se estivermos constantemente a ser bombardeados com informação fútil, consumista, individualista e lidarmos com pessoas que vêm na imagem a sua principal forma de expressão, a nossa opinião e maneira de ser tenderá a ir por esses caminhos. Não temos culpa. Se não nos mostrarem o que é, e para que serve um computador, dificilmente iremos utilizá-lo. Somos seres extremamente sociáveis e adaptáveis à realidade.

Assim se percebe porque numa ideologia económica em que os valores são a competição, o interesse próprio, o lucro, a propriedade privada e a hierarquia, leva a que as pessoas tenham pensamentos e acções “corruptas”.

As ganâncias com que nos deparamos no dia-a-dia, dão legitimidade a que façamos coisas parecidas. Devemos mostrar que elas existem, que são algo de errado e arranjar forma de combatê-las.

É importante também tentar ver o lado bom. Quais seriam os valores que iriam reger a nossa comunidade se tivéssemos realmente o poder de escolha ou de discussão para o fazer? O voto é uma ratoeira política. Como é que devemos afectar os recursos? O que realmente necessitamos para viver? Como interagir com o meio? Se a democracia fosse participativa, as pessoas teriam o poder de escolher ou de expressar a sua opinião; e iriam sentir, certamente, que fariam parte dos valores dessa comunidade apagando parte do sentimento anti-estado que existe.


Hugo Confraria

domingo, 19 de setembro de 2010

A mercantilização do Ensino Superior

A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR

Practical men, who believe themselves to be

quite exempt from any intellectual influences, are

usually the slaves of some defunct economist.”

John Maynard Keynes

Declaração de Bolonha

“A Europa do Conhecimento é agora por todos reconhecida como um factor imprescindível ao crescimento social e humano, um elemento indispensável à consolidação e enriquecimento da cidadania Europeia (…)

A declaração da Sorbonne de 25 de Maio de 1998, (…) deu grande importância à criação de uma área dedicada ao ensino superior como sendo o caminho crucial para promover a circulação dos cidadãos, as oportunidades de emprego e o desenvolvimento global do Continente. (…)

As instituições Europeias de Ensino Superior, por seu lado, aceitaram o desafio e assumiram um papel preponderante na criação do Espaço Europeu do Ensino Superior. (…) Isto é da máxima importância, dado que a independência e a autonomia das Universidades asseguram que o ensino superior e os sistemas de estudo, se adaptem às necessidades de mudança, às exigências da sociedade e aos avanços do conhecimento científico. (…)

Teremos que fixar-nos no objectivo de aumentar a competitividade no Sistema Europeu do Ensino Superior.

(…) comprometemo-nos em coordenar as nossas políticas, com o intuito de, a curto prazo (…) atingir os seguintes objectivos (…)

1. Adopção de um sistema com graus académicos de fácil equivalência, também através da implementação, do Suplemento ao Diploma, para promover a empregabilidade dos cidadãos europeus e a competitividade do Sistema Europeu do Ensino Superior.

2. Adopção de um sistema baseado essencialmente em duas fases principais, a pré-licenciatura e a pós-licenciatura. O acesso à segunda fase deverá requerer a finalização com sucesso dos estudos da primeira, com a duração mínima de 3 anos. O grau atribuído após terminado a primeira fase deverá também ser considerado como sendo um nível de habilitações apropriado para ingressar no mercado de trabalho Europeu. A segunda fase deverá conduzir ao grau de mestre e/ou doutor (…)

Convencidos de que a criação do Espaço Europeu do Ensino Superior necessita de constante apoio, supervisão e ajustamento às necessidades em permanente evolução, decidimos reunir-nos novamente dentro de dois anos para avaliar o progresso alcançado e decidir sobre os novos passos a serem dados.”


O processo de Bolonha, que visa uma mudança de políticas relativamente à Educação com a finalidade de construir uma Área Europeia de Educação Superior, tem vindo a colocar os interesses académicos ao sabor dos interesses de mercado, com a justificativa de fomentar a mobilidade de pessoas e o nível de emprego.

Segundo dados recentes, concluí-se que a mobilidade não aumentou e que o desemprego entre licenciados aumenta.

Verifica-se que a política institucional dirigida à educação baseia-se na lógica económica que, por sua vez, se queixa da política educativa. Então, actua-se como se esta última tivesse como função solucionar a primeira. Contudo, este sector não pode ser responsabilizado por aquilo que são problemas de uma sociedade e, assim, objecto de outras políticas e objecto de outras instituições que não as universidades. Tal sucede quando o poder político é dominado unicamente por interesses económicos, quando o Estado está ao serviço do capital.

Por outro lado, a queda de investimento por parte do Estado conduz a uma outra busca de financiamento que leva a um aumento da propina; elitiza o ensino e conduz à sua privatização progressiva. Deste modo, violamos, em parte, o direito de cidadania. O conceito de educação altera-se, sendo, agora, um mero serviço comercial, vendido no mercado a quem por ele possa pagar.

Coloca-se, então, a questão de independência da universidade em relação a interesses materias, económicos.

Assiste-se a uma massificação e internacionalização do ensino, como se de uma mercadoria se tratasse, e existe uma preocupação em incentivar o conhecimento que se pode transferir para o mercado. Ao considerarmos a universidade como algo pertencente a um género de mercado universitário, colocamo-la num ponto em que a principal preocupação é a competitividade. O que é, aliás, uma fixação assumida da política educativa europeia.

Vendo o ensino como um bem transaccionável, pretende-se que este tenha capacidade de competir com o seu sucedâneo, nomeadamente com a universidade globalizada americana. Mas, a provar a infertilidade de tal teoria, note-se foi precisamente nos anos 90 que o número de alunos europeus a estudar no EUA ultrapassou o número de estudantes americanos a estudar na Europa.

Para além disso, o ensino europeu defronta-se com sérios problemas como o das equivalências entre as licenciaturas pré-bolonha e os mestrados pós-bolonha, o que leva à deterioração da ideia de mestre. A indefinição relativamente ao reconhecimento de diplomas permite que acabe por ser o mercado a definir qual a equivalência.

Também a docência vê a sua vida alterada.

O seu estímulo, perante um ensino estandardizado, “baseado em workpages, negócios de citação recíproca para melhorar os índices, comparações entre publicas-onde-não-me-interessa-o-quê”*, tende para zero.

Os estudantes, os quais se pretende que sejam agora autónomos, donos da sua aprendizagem, condicionam a sua busca de conhecimento consoante as saídas de mercado.

De forma subtil, as mentes são bombardeadas, constantemente, com termos como competitividade, empregabilidade, eficiência, gestão estratégica, maximização do lucro, acumulação de capital humano, etc.. E usa-se o currículo como instrumento de gestão do nível de produção educacional.

Interligando este facto com a carga excessiva a que os mesmos estão agora sujeitos (devido à compressão da licenciatura em 3 anos e a inóspita calendarização de exames), o resultado é um empobrecimento da vida académica, como a participação em organismos e secções culturais e/ou desportivos, tão relevante para a formação pessoal e para a própria dinâmica profissional.

Banalização académica, controle ideológico e falta de um desenvolvimento de carácter cooperativo e emancipador, são algumas das possíveis consequências.

Esta perda de reflexão profunda, na era da playstation, pode-se predestinar grave.

A instabilidade, proveniente de sucessivos acordos e reformas fortuitas, e o consequente risco a que o ensino tem estado sujeito, acrescido de problemas como os mencionados, desvalorizam o prestígio acumulado da Universidade Europeia, pela qualidade duvidosa das suas formações. Verificam-se avanços quantitativos, mas não qualitativos.

A tradição universitária europeia regista diferenças entre os países que a constituem. E acabar com essas diferenças será descaracterizá-la.

A uniformização acaba com a riqueza proveniente do pluralismo, destrói a originalidade e inibe a criatividade.

A política institucional não pode prevalecer em detrimento do desenvolvimento curricular.

A aquisição de saber é indissociável da formação da própria pessoa.

Precisamos repensar o ensino, com a perspectiva clara das consequências danosas que podem ocorrer com esta mercantilização do ensino superior.

Precisamos criar uma concepção do caminho que queremos, de facto, percorrer; precisamos de uma organização pedagógica clara; precisamos articular o ensino com a investigação, criando condições para que os nossos estudantes não direccionem a sua aprendizagem de forma oca; precisamos garantir que aqueles que se encontram em piores condições monetárias tenham sempre acesso ao ensino superior; e precisamos de abrir a universidade ao mundo, não a fechando ao mercado.

Precisamos avaliar se o processo de Bolonha se trata, como bem refere o Dr. Prof. Boaventura Sousa Santos, de uma reforma, estimulando a criatividade para responder aos desafios do século, ou se, por outro lado, se trata de uma contra-reforma, que impõe desafios e descaracteriza a universidade.

Pensar uma forma de convergir, sem unificar, garantindo o direito de cidadania, sempre com a consciência de que a filosofia, a poesia ou o latim não devem ser considerados de menor interesse só porque o mercado assim o dita.

Construindo um ensino para libertação e aperfeiçoamento do Homem, ser social.

Bibliografia consultada:

1.*A Desuniversidade, Boaventura de Sousa Santos, in Visão – 26 de Agosto

2. Bolonha: ameaças e oportunidades, Rui Namorado Rosa

3. Sítio da Fenprof, Contra a mercantilização do Superior: http://www.fenprof.pt/SUPERIOR/?aba=37&cat=112&doc=318&mid=132

4. Sítio da Declaração de Bolonha:

http://www.ond.vlaanderen.be/hogeronderwijs/bologna/links/language/1999_Bologna_Declaration_Portuguese.pdf

Joana Bom,

Graduada pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal,

Mestranda em Desenvolvimento Econômico, vertente Economia Social e do Trabalho, Unicamp.

Brasil, 15 de Setembro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

O factor "C" em Portugal...

Sendo este o meu primeiro "post" neste blogue, quero manifestar o meu desejo de, em conjunto com os meus companheiros, tornar este blogue um espaço de reflexão e crítica interessante e cativante, sobre os mais variados temas dos nossos dias. Tal como referido no texto introdutório, todos os 3 temos muitas ideias em comum, mas também visões diferentes em relação a determinados temas. O objectivo é, exactamente, abrir a discussão salutar sobre, essencialmente, temas da área económica e política.

Hoje, quando lia este artigo deparo-me com mais uma situação que vai de encontro ao tema deste post e deste blogue. Entristece-me. Por certo isto não acontece só em Portugal, mas cada vez mais em Portugal... Assim, não fico, de todo, admirado com o crescente "brain drain" que se vai assistindo por cá.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Introdução

Vivemos numa comunidade onde a ganância, a corrupção, o interesse pessoal em detrimento do colectivo, existem em demasia.
Somos um grupo de jovens economistas que vêem de forma crítica esta ideologia económica selvagem em que crescemos. Por isso, achámos importante a criação de um espaço onde pudéssemos expor as nossas ideias e visões, de forma a criar mais uma plataforma de informação alternativa que possa contrariar a propaganda capitalista existente na sociedade.
Cada um de nós tem ideias diferentes sobre os mais diversos temas, mas temos em comum o pensamento crítico na abordagem às questões, e a consciência que é necessária tolerância e abertura para poder evoluir o nosso conhecimento.
Também será um espaço de cultura, porque sem ela transformamo-nos facilmente em seres demasiado tristes e revoltados para pensar claramente.
É um sítio livre, logo a participação construtiva é bem vinda.