quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
Aftermath of a Crisis
Estamos num momento de transição. O futuro é incerto. As pessoas não se sentem representadas pelo poder político e financeiro mas as alternativas (movimentos sociais que criem partidos políticos, revoluções violentas, etc) também não são soluções que claramente demonstrem uma melhor solução.
Este documentário trata este momento histórico.
Manuel Castells (http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Castells) reuniu alguns pensadores em Lisboa para tratar estes assuntos.
Obrigatório!
Hugo Confraria
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Crise da dívida pública Europeia explicada
Este vídeo explica a principal causa da crise de dívida pública que vivemos hoje na Europa.
Com a criação da Zona Euro, os estados ficaram impedidos de criar moeda através dos seus próprios Bancos Centrais. A expansão monetária actualmente só pode ser feita através da banca privada (como explica o vídeo).
- Os bancos privados pedem dinheiro ao BCE a taxas perto de 1% e emprestam a taxas muito superiores (Portugal ± 4%, Grécia ±6%, Privados >6%)
Assim, o lucro dos bancos privados (juros, spreads, etc) é retirado da "banheira" em forma de salários chorudos e bónus para os administradores e accionistas.
Esse dinheiro não desaparece, mas fica nas mãos dos detentores do capital (normalmente as pessoas mais abastadas), aumentando ainda mais a desigualdade entre ricos e pobres.
Dessa forma, para preencher a parte da banheira que foi para os capitalistas, é necessário emitir mais dívida. Aqui acontece exactamente o mesmo processo, os bancos retiram lucros dos empréstimos que fazem, expandindo a massa monetária, mas a longo prazo (Se os estados não tiverem orçamento "zero") a divida pública dos países vai sempre aumentar. Isto é um processo que nos moldes actuais não tem fim e vai levar á maior passagem de riqueza da história do público para o privado.
Muitos bancos hoje em dia são "to big to fail". Por isso, e porque esses bancos fizeram investimentos ruinosos, actualmente estão sem "liquidez" (têm casas, empresas falidas, activos tóxicos mas não têm dinheiro liquído), actualmente fala-se em injectar dinheiro nos bancos para facilitar o crédito a empresas e privados. Isto é ridículo. Porque é entender a raiz do problema sem a resolver.
Não sei se este sistema bancário foi criado por estupidez dos reguladores, ou por ganância e lobbies dos influenciadores dos reguladores. O que é certo é que se não houver uma mudança isto leva ao colapso do sistema financeiro.
SOLUÇÕES:
- Separar a Banca de Investimento da Banca Comercial (Depósitos) - Glass Steagall Act
- Nacionalizar TODA a Banca Comercial (Os juros dos empréstimos têm de retornar ao estado para financiar projectos públicos; resolvendo o problema do aumento da desigualdade entre ricos e pobres e amenizando o problema da dívida pública)
- Banca de Investimento (Empresas, microcrédito, Business Angels, Venture Capital) privada mas sem a possibilidade de ser "To big to fail". Se falir faliu e acabou! vai tudo ao ar! (Destruição criadora - Schumpeter)
PS: Claro que continuam a existir outros problemas como a corrupção política, despesismo público, promiscuidades entre privado e público, etc, para a resolução de todo o problema da dívida pública Europeia.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Immanuel Wallerstein. Determinismo e a vontade própria
Ideia muito interessante nesta entrevista.
Quando o sistema é relativamente estável é relativamente difícil de alterar as coisas, existe um determinismo que não permite que o paradigma mude.
Quando o sistema é instável, volátil pequenos esforços de "vontades próprias" podem levar a sociedade num sentido ou noutro.
O sistema económico ocidental está estruturalmente instável. Sistema bancário sem liquidez, sistema financeiro com falta de confiança, dividas públicas excessivas em demasiados países, problemas do euro, falta de lideranças políticas, etc.
Por outro lado a sociedade do conhecimento começa a despertar e a obter informação de forma independente. Dá ideia que imensas pessoas que noutras condições não se interessariam pelas questões sociais, começam a revoltar-se (Primaveras árabes, Indignados e agora os EUA).
Vamos lá ver se conseguimos abanar as estruturas suficientemente!
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Ethics in Economics
Este é um tema muito interessante. Se um economista com uma posição respeitada for influenciado a ter um tipo de ideologia que seja de acordo com o poder hegemónico ele terá muito mais legitimidade e notoriedade do que um que seja mais heterodoxo.
Este conflito de interesses faz com que economistas com uma visão fora do "mainstream" sejam vistos como radicais, pessoas que são inconsequentes nas suas ideias, o que os afasta dos principais círculos de decisão.
Outros problemas desta profissão passam pela elevada especialização que os investigadores hoje em dia são obrigados a ter, o que os torna muitas vezes desligados da visão "macro" da afectação de recursos e ainda a falta de activismo político que alguns economistas com visões divergentes demonstram ter. Penso que economistas evolucionistas, institucionalistas, neo-schumpeterianos deviam conseguir uma plataforma mais eficaz para conseguir transmitir os seus ideias ao poder.
Hugo Confraria
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
QUE VERGONHA BRASIL!!!
QUE VERGONHA BRASIL!!!
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Um dedo de prosa 3: Rodrigo e Ricardo, jovens da ocupação do MST em Americana/SP
A ocupação do MST em Americana/SP que teve início no dia 06 de agosto de 2011. As terras ocupadas pertencem ao governo federal e foram ilegalmente invadidas pela usina Ester para o plantio da monocultura da cana. O acampamento está constantemente sobre ameaça de despejo. Nem o INCRA, nem o ITESP, ou qualquer órgão do governo se manifestou até agora em defesa do direito dos sem-terra.
No dia 30 de agosto a ocupação foi despejada pela polícia. Mas, o MST reocupou a área no sábado, dia 10 de setembro.
Para doações, apoios e maiores informações: campinasmst@gmail.com.
Filmagem: Marcelo Pupo
Entrevista: Marcelo Pupo e Yan Caramel
Edição: Jefferson Vasques
Fotos: João Zinclar, Cristina Beskow, Lívia Moraes, Fernandão (há uma informação errada no vídeo: as fotos não foram feitas por Tatiana Prado, mas pelo camarada Fernandão da Flaskô fábrica ocupada!)
REFORMA AGRÁRIA JÁ!!!
Um dedo de prosa 2: Josefa, Mazé e Larissa, 3 gerações na ocupação do MST em Americana/SP
A ocupação do MST em Americana/SP que teve início no dia 06 de agosto de 2011. As terras ocupadas pertencem ao governo federal e foram ilegalmente invadidas pela usina Ester para o plantio da monocultura da cana. O acampamento está constantemente sobre ameaça de despejo. Nem o INCRA, nem o ITESP, ou qualquer órgão do governo se manifestou até agora em defesa do direito dos sem-terra. Para doações, apoios e maiores informações: campinasmst@gmail.com.
Filmagem: Marcelo Pupo
Entrevista: Marcelo Pupo e Yan Caramel
Edição: Jefferson Vasques
Fotos: João Zinclar, Cristina Beskow, Lívia Moraes, Fernandão (há uma informação errada no vídeo: as fotos não foram feitas por Tatiana Prado, mas pelo camarada Fernandão da Flaskô fábrica ocupada!)
REFORMA AGRÁRIA JÁ!!!
Um dedo de prosa 1: Seu Pedro, acampado do MST em Americana (ago/2011)
Filmagem: Marcelo Pupo
Entrevista: Marcelo Pupo e Yan Caramel
Edição: Jefferson Vasques
Fotos: Cristina Beskow
REFORMA AGRÁRIA JÁ!!!
sábado, 10 de setembro de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Adam Smith sobe a Divisão do Trabalho
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Lixo
Imaginemos agora que tudo isto é mentira e que afinal de contas os mercados financeiros são racionais e chegam sempre ao equilíbrio que é a solução ideal.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Uma estratégia para a esquerda europeia, por Michel Husson
Uma estratégia para a esquerda europeia
A única hipótese estratégica que se pode conceber para a esquerda europeia deve ter como ponto de partida uma experiência de transformação social que se inicie num país. Ela não deve encerrar-se na escolha impossível entre uma aventura arriscada – a saída do euro – e uma harmonização utópica. Devemos abandonar a ideia de que existem atalhos “técnicos”, assumir o conflito inevitável e construir uma nova correlação de forças capaz de atacar os interesses capitalistas: o país inovador poderia reestruturar a sua dívida, nacionalizar os capitais estrangeiros, ou ameaçar fazê-lo. É o que nunca pensaram fazer os governos “de esquerda” de Papandreou na Grécia ou de Zapatero em Espanha. O artigo é de Michel Husson.
Michel Husson
A dimensão especificamente europeia vem agravar os efeitos da crise global. Há trinta anos, as contradições do capitalismo têm sido ultrapassadas, em resumo, por uma enorme acumulação de direitos fictícios sobre a mais-valia. A crise ameaçou destruí-los. Os governos burgueses decidiram preservá-los, dizendo que era preciso salvar os bancos. Eles assumiram as dívidas dos bancos por conta própria, sem quase nada exigir como contrapartida. Teria sido possível, contudo, impor condições a essa salvação, por exemplo a interdição de produtos especulativos e o encerramento dos paraísos fiscais; ou ainda responsabilizar os bancos por um certo montante da dívida pública que esta salvação fez bruscamente aumentar.
Entramos agora na segunda fase. Depois de ter passado a dívida do privado para o público, vão agora fazê-la pagar pelos trabalhadores. Esta terapia de choque toma a forma de planos de austeridade que são todos construídos no mesmo modelo: redução das despesas socialmente úteis e aumento dos impostos mais injustos. Só há uma alternativa a essa violência social: fazer os acionistas e os credores pagarem o custo da salvação do sistema. Tudo isto é claro e todos compreendem.
O colapso de um projeto burguês
Mas o que os trabalhadores devem agora pagar é também o colapso do projeto burguês de construção europeia. Com a moeda única, o pacto de estabilidade orçamentária e a desregulamentação total da finança e dos movimentos de capitais, as burguesias europeias pensavam ter encontrado o bom sistema.
Pondo em concorrência os assalariados e os modelos sociais, a compressão salarial tornava-se o único meio de regular a concorrência inter-capitalista e de aprofundar as desigualdades favoráveis a uma camada social estreita.
No entanto, este modelo não era viável, porque punha o carro à frente dos bois pressupondo uma homogeneidade das economias europeias que não existia. A divergência, pelo contrário, agravou-se entre os países, segundo o seu lugar no mercado mundial e a sua sensibilidade ao curso do euro; as taxas de inflação não convergiram e as baixas taxas de juro favoreceram as bolhas imobiliárias, etc. Todas as contradições de uma construção truncada, que os euroliberais só descobrem agora, existiam antes da crise, mas esta fê-las explodir na forma de ataques especulativos contra as dívidas soberanas dos Estados mais expostos.
Por detrás da abstração dos “mercados financeiros” há principalmente estabelecimentos financeiros europeus que para especular utilizam os capitais que lhes foram emprestados pelos Estados, a taxas de juro muito baixas. Esta especulação só é possível devido à não intervenção dos Estados e é preciso entendê-la como uma pressão para sanear os orçamentos à custa dos povos e preservar os juros dos bancos.
Duas tarefas imediatas
Do ponto de vista dos trabalhadores, as tarefas imediatas são claras: é preciso resistir aos planos de austeridade e recusar pagar a dívida, que não é outra coisa senão a dívida da crise. O projeto alternativo, em nome do qual esta resistência social se pode desenvolver, assenta na exigência de uma repartição das riquezas. Uma tal exigência é coerente: foi a compressão salarial, ou dito de outra forma a captação de uma parte crescente da mais-valia pela finança, que conduziu à enorme acumulação de dívidas que levou à crise. Tal é a verdadeira base material desta crise.
A alternativa passa especialmente por uma verdadeira reforma tributária que anule os privilégios concedidos há anos às empresas e aos ricos. Ela implica também, de uma forma ou outra, a anulação da dívida. A incompatibilidade entre a dívida e os interesses sociais majoritários é total. Não pode haver saída progressista para a crise sem pôr em causa esta dívida, seja sob a forma de anulação ou de reestruturação. Além disso, um certo número de países vão provavelmente ser incapazes de pagá-la e é ainda mais importante antecipar esta situação e dizer como ela deverá ser gerida.
Sair do euro?
A ofensiva com que estão confrontados os povos europeus é inegavelmente agravada pelo espartilho europeu. Por exemplo, os bancos centrais europeus, contrariamente ao Federal Reserve dos Estados Unidos, não podem monetizar dívida pública, comprando títulos emitidos pelo Tesouro. A saída do euro permitiria desatar este nó? É o que propõe Costas Lapavitsas no caso da Grécia, e isso como uma medida imediata, sem esperar, diz ele, que a esquerda se una para mudar a zona euro, o que ele acha “impossível”.
Esta ideia, que é proposta para o resto da Europa, enfrenta uma primeira objeção: a Grã-Bretanha não faz parte do euro e isso não a preservou da austeridade. É além disso fácil de compreender porque a extrema direita nacionalista pede a saída do euro, como acontece com a Frente Nacional em França. Pelo contrário, é mais difícil de ver quais poderiam ser os méritos de uma tal palavra de ordem para a esquerda radical. Se um governo liberal fosse obrigado a tomar uma medida dessas, sob a pressão dos acontecimentos, é certo que isso seria o pretexto para uma austeridade ainda mais dura que aquela que conhecemos hoje e que isso não faria nada, pelo contrário, para estabelecer uma relação de forças mais favorável aos trabalhadores. É essa a lição que se pode extrair de todas as experiências do passado.
Para um governo de esquerda, sair do euro seria pelo contrário um verdadeiro erro estratégico. A nova moeda seria desvalorizada, pois afinal é esse o objetivo. Mas isso abriria uma brecha que imediatamente os mercados financeiros aproveitariam para lançar uma ofensiva especulativa. Isso provocaria um ciclo desvalorização-inflação-austeridade. Além disso, a dívida, até aí formulada em euros ou em dólares, aumentaria bruscamente no montante dessa desvalorização. Qualquer governo de esquerda verdadeiramente decidido a tomar medidas a favor dos trabalhadores seria seguramente confrontado com fortes pressões do capitalismo internacional. Mas de um ponto de vista tático, seria melhor, nessa prova de força, utilizar de maneira conflitual o fato de se pertencer à zona euro.
Quanto ao fundo, é verdade que a construção europeia fundada na moeda única não é coerente e em qualquer caso está inacabada. Ela retira uma variável de ajustamento, a taxa de câmbio, às diferenças de evolução dos preços e dos salários no interior da zona euro. Os países da periferia têm então de escolher entre congelar os salários, como faz a Alemanha há dez anos, ou sofrer uma perda de competitividade e perdas de mercado. Esta situação conduz a uma espécie de impasse e não existem soluções imediatamente aplicáveis: voltar atrás mergulharia a Europa no caos em detrimento dos países mais frágeis; implementar uma nova lógica de construção europeia parece um objectivo fora de alcance. Se a zona euro estourasse, as economias mais frágeis seriam desestabilizadas pelos ataques especulativos. Mesmo a Alemanha nada teria a ganhar com isso, na medida em que a sua moeda se valorizaria de forma incontrolada, sofrendo o que os Estados Unidos procuram hoje impor a numerosos países, com a sua política monetária (1).
Existem outras soluções, que passam por uma refundação total da União Europeia: um orçamento alimentado por um imposto unificado sobre o capital e financiando fundos de harmonização e investimentos social e ecologicamente úteis, a gestão conjunta das dívidas públicas, etc. Mas, repetindo, esta saída por cima não é possível a curto prazo, não por falta de dispositivos alternativos, mas porque a sua aplicação pressupõe uma mudança radical da relação de forças à escala europeia.
Que fazer então nesta conjuntura extremamente difícil? A luta contra os planos de austeridade e a recusa a pagar a dívida constituem a base de uma contra-ofensiva. É preciso em seguida, para que as resistências sejam reforçadas pela afirmação de um projeto alternativo, trabalhar sobre um tal programa, articulando soluções “técnicas” com uma explicação geral do conteúdo de classe da crise (2).
A tarefa específica da esquerda radical e internacionalista é, em seguida, combinar as lutas conduzidas a nível nacional com a afirmação de uma outra Europa. Do seu lado, que fazem as burguesias? Elas afrontam-se sobre as políticas a conduzir porque defendem interesses que continuam a ser em grande parte nacionais e contraditórios. Mas quando se trata de impor a austeridade às suas respectivas classes operárias, elas apresentam uma frente comum solidamente unida.
No outro campo, há mais a fazer do que sublinhar as diferenças, certamente reais, que existem na situação dos diferentes países. O verdadeiro desafio é a construção de um ponto de vista internacionalista sobre a crise na Europa. É em primeiro lugar o único meio de se opor verdadeiramente à subida da extrema direita propondo alvos diferentes dos habituais bodes expiatórios. Em segundo lugar, é o meio de afirmar uma verdadeira solidariedade internacional com os povos mais fragilizados pela crise propondo que as dívidas sejam mutualizadas a nível europeu. É preciso pois opor um projecto alternativo ao projecto burguês europeu, que conduz em todos os países à regressão social. Como não compreender que as mobilizações, confrontadas com a coordenação burguesa a nível europeu, tenham necessidade de se apoiar num outro projeto coordenado? Embora seja verdade que as lutas são conduzidas num quadro nacional, elas seriam reforçadas por uma tal perspectiva, em vez de serem enfraquecidas ou desviadas pelos impasses do nacionalismo. Que os estudantes londrinos se tenham manifestado, gritando “Todos juntos, todos juntos!”, é um símbolo vivo dessa aspiração.
Para uma estratégia europeia
A tarefa é difícil, como o período que a crise abriu. Mas a esquerda radical não deve encerrar-se na escolha impossível entre uma aventura arriscada – a saída do euro – e uma harmonização utópica. Tudo pode ser feito para trabalhar com dois objetivos intermédios que ponham em causa as instituições europeias, por exemplo:
- os Estados da União Europeia devem poder pedir empréstimos diretamente junto do Banco Central Europeu (BCE) a taxas de juro muito baixas e os bancos privados deveriam ser obrigados a responsabilizar-se por uma certa proporção da dívida pública;
- é preciso estabelecer um mecanismo padrão, que permita anular a respectiva dívida pública, na proporção dos benefícios fiscais aos ricos e dos montantes gastos com a salvação dos bancos;
- o saneamento orçamentário deve passar por uma reforma fiscal, visando taxar, de forma harmonizada a nível europeu, os movimentos de capitais e as transações financeiras, os dividendos e outros rendimentos do capital, as grandes fortunas e os rendimentos mais altos.
Deve ser entendido que tais objetivos não estão mais distantes nem mais próximos que a miragem de uma “saída do euro” que fosse favorável aos trabalhadores. É certamente absurdo esperar uma ruptura simultânea e coordenada em todos os países europeus. A única hipótese estratégica que se pode então conceber deve ter como ponto de partida uma experiência de transformação social que se inicie num país. O governo do país em questão tomaria medidas, como por exemplo a instauração de uma taxa sobre o capital. Mas ele estaria consciente, que deveria ao mesmo tempo antecipar as medidas de retaliação de que iria ser alvo imediatamente: a instauração, por conseguinte, de um controle dos capitais. Tomando esta medida de proteção da reforma fiscal em curso, entraria abertamente em conflito com as regras do jogo europeu. Não tem portanto interesse em tomar a iniciativa de sair unilateralmente do euro, o que seria ainda uma falta estratégica enorme, pois a nova moeda seria imediatamente atacada afim de derrubar a economia do país “rebelde”.
Devemos, pois, abandonar a ideia de que existem atalhos “técnicos”, assumir o conflito inevitável e construir uma relação de forças - a dimensão europeia faz parte disso. Existe para isso um primeiro ponto de apoio, que é a capacidade de atacar os interesses capitalistas: o país inovador poderia reestruturar a sua dívida, nacionalizar os capitais estrangeiros, etc. ou ameaçar fazê-lo. É o que nunca pensaram fazer, em nenhum momento, os governos “de esquerda” de Papandreou na Grécia ou de Zapatero em Espanha.
O principal ponto de apoio resulta do caráter cooperativo das medidas tomadas. É uma enorme diferença com o protecionismo clássico, que procura sempre, no fundo, jogar contra os outros, ganhando-lhes quotas de mercado. Todas as medidas progressistas, pelo contrário, são tanto mais eficazes quanto se generalizam a um maior número de países. Devemos pois falar aqui de uma estratégia de extensão que assenta no seguinte discurso: nós afirmamos a nossa vontade de taxar o capital e tomamos medidas de proteção adequadas. Mas esperando que esta medida, como propomos, seja estendida ao conjunto da Europa.
Conclusão: em vez de as opor, devemos refletir na articulação entre ruptura com a Europa neoliberal e projeto de refundação europeia.
Texto publicado em Socialist Resistance, traduzido por Carlos Santos paraEsquerda.net
(*) Economista francês. Investigador no IRES (Instituto de Investigações Económicas e Sociais)
(1) Ler Michael Hudson, “US Quantitative Easing Is Fracturing the Global Economy”.
(2) Ler o documento do Bloco de Esquerda português: “A crise e os meios de a vencer”, 23 de Maio de 2010.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Eleições 2011
O que a mim me entristece no meio disto tudo é que as pessoas têm acesso a informação que lhes mostra que claramente é um erro votar no PS/PSD/PP. As políticas de austeridade impostas pela Troika vão sugar ainda mais o povo, para financiar a banca e passar a riqueza do público para as elites privadas. Daqui a uns meses estaremos como a Grécia a endividar-nos ainda mais para conseguir pagar a divida já efetuada.
Vários prémios "Nobel" da Economia e outros sábios (Stiglitz, Roubini, Krugman, Boaventura, Chomsky, etc) têm vindo a dizer que o que está a ser feito na Europa é errado e irresponsável. Que as medidas de austeridade vão reduzir a actividade económica e por isso não vai ser possível no futuro pagar os compromissos feitos no presente. Que o principal causador da crise que vivemos (o sistema financeiro) deveria ser repensado, reformulado, redesenhado.
Mesmo assim os líderes Europeus vão continuar com os olhos vendados, olhando para o seu próprio umbigo, até uma crise geral estalar em toda a Europa. Não sei se o ponto de inflexão vai ser provocado de forma endógena (Movimentos sociais, consciencialização, crises políticas, etc) ou se vai ser exógeno (Sistema de moeda única insustentável e consequente separação da Europa, Crise ecológica, Nova crise financeira, etc). Se calhar vai estar tudo ligado num bolo gigante de ruptura. Mas que alguma coisa diferente está a aparecer isso já é inegável.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
PIIGS
This "extend and pretend" or "lend and pray" approach is bound to fail because, unfortunately, most of the options that indebted countries have used in the past to extricate themselves from excessive debt are not feasible.
For example, the time-honoured solution of printing money and escaping debt via inflation is unavailable to the PIIGS, because they are trapped in the euro zone straitjacket."
Texto de leitura completamente obrigatória. Um dos homens que previu a crise do "Subprime" (Roubini) escreve sobre a crise de dívida soberana do PIIGS.
Deixemos de falar que é radical estruturar a dívida. Portugal, no colete de forças que é o Euro, tem falta de instrumentos de Politíca Económica para conseguir sair da situação em que está. Mais tarde ou mais cedo (como já está a acontecer na Grécia) não vamos conseguir pagar os nossos compromissos. As medidas de austeridade levam a que o país não cresça, tornando impossível o pagamento da dívida que se efectua. A única solução é criar mais dívida para pagar a dívida anterior. Isto é uma espiral que acaba quando a confiança acaba.
domingo, 15 de maio de 2011
Solução - 8 Propostas
2. Parar os planos de austeridade, pois são injustos e aprofundam a crise.
3. Estabelecer uma verdadeira justiça fiscal europeia e uma redistribuição justa da riqueza. Proibir as transacções com paraísos fiscais e legais. Lutar contra a fraude fiscal em massa das grandes empresas e dos mais ricos.
4. Regular os mercados financeiros, nomeadamente através da criação de um cadastro de detentores de títulos, da proibição de vendas a descoberto e da especulação numa série de áreas. Criar uma agência pública europeia de avaliação.
5. Transferir sob controlo dos cidadãos os bancos para o sector público.
6. Socializar as numerosas empresas e serviços privatizados desde 1980.
7. Reduzir drasticamente o tempo de trabalho para criar empregos aumentando salários e pensões em paralelo.
8. Repensar democraticamente uma outra União Europeia baseada na solidariedade.
domingo, 24 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
The Social Animal - David Brooks
quarta-feira, 6 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
A educação em Portugal
segunda-feira, 21 de março de 2011
"O Anti-Édipo tem como subtítulo Capitalismo e esquisofrenia."
Mesmo livro, cap. 30: Capitalismo e esquizofrenia, com Felix Guattari (1972).
Questão: "O Anti-Édipo tem como subtítulo Capitalismo e esquisofrenia. Qual é a razão disso? Vocês partiram de quais idéias fundamentais?
A idéia fundamental talvez seja a seguinte: o inconsciente “produz”. Dizer que ele produz significa que é preciso parar de tratá-lo, como se o fez até então, como uma espécie de teatro onde se representaria um drama privilegiado, o drama de Édipo. Nós pensamos que o inconsciente não é um teatro, mas antes uma usina. Artaud disse algo belíssimo sobre isso. Ele disse que o corpo, e acima de tudo o corpo doente, é como uma usina superaquecida. Não um teatro, portano. Dizer que o inconsciente “produz”, significa dizer que ele é uma espécie de mecanismo que prodiz outros mecanismos. Para nós, isso quer dizer que o inconsciente nada tem a ver como uma representação teatral, mas como algo que poderíamos chamar de “máquinas desejantes”. É preciso que nos entendamos sobre o termo “mecanismo”. Como teoria biológica, o mecanismo nunca soube compreender o desejo. Ele o ignora, fundamentalmente, porque não consegue integrá-lo em seus modelos. Quando falamos de máquinas desejantes, do inconsciente, do incosciente como um mecanismo de desejo, queremos dizer algo bem diferente. Desejar consiste no seguinte: fazer cortes, deixar correr alguns fluxos, antecipá-los, cortar as cadeias nas quais eles se enlaçam. Todo esse sistema do inconsciente ou do desejo que corre, que corta, que deixa correr, esse sistema absolutamente literal do inconsciente, ao contrário do que pensa a psicanálise tradicional, esse sustema nada significa. Não há ai nenhum sentido, nenhuma interpretação a ser dada, isso não quer dizer nada. O problema é saber como funciona o incosciente. É um problema de uso das máquinas, de funcionamento das “máquinas desejantes” (...).”
Gosto da parte que ele diz que o sistema absolutamente literal. Abaixo aos papais e mamães, e interpretações singulares... quero frango assado no mínimo...
Parabéns pelo blog.
Nota: Esta publicação foi-me pedida pelo meu amigo Ennio, em forma de resposta ao mister Huguinni.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Inside Job
Aqui se percebe facilmente como se governa hoje em dia o Mundo. Talvez o filme esteja demasiado focado nos intervenientes corruptos e pouco no problema sistémico, mas mesmo assim é um filme obrigatório para quem quer compreender a crise financeira de 2008 e quais foram as medidas que (não) foram tomadas para contrariar os problemas que os mercados financeiros teêm.
Tem entrevistas com grande parte dos economistas notáveis actuais (mainstream) e coloca alguns deles em situações que eles não estariam à espera.
Hugo Confraria
Why Did Economists Not Foresee the Crisis?
Raghuram Rajan
A pergunta que a Rainha de Inglaterra fez à “London School of Economics” tem todo o sentido. Com tanto economista, tanto especialista, tanta gente com tanto conhecimento sobre a história e sobre o comportamento dos mercados como foi possível chegarmos ao estado em que o Mundo está?
Este investigador (ex-economista chefe do FMI) ilucida-nos neste artigo sobre alguns dos factores que levaram a isto.
A economia é uma ciência social extremamente complexa, cheia de interdependências, não determinística, adaptativa, em que o funcionamento do sistema se parece muito mais com algo caótico do que com algo em equilíbrio. Por outro lado, a maioria dos modelos que os economistas utilizam partem de pressupostos como a existência de equilíbrio entre Procura e Oferta; que o consumidor tem acesso a toda a informação existente no mercado e que a concorrência é pura e perfeita, ou seja, infinita. Ora, isto evidentemente está errado, são apenas condições para podermos tentar calcular e prever uma série de acontecimentos. Se utilizamos modelos em que os pressupostos estão à partida errados, então claramente os resultados vão sair todos enviesados.
A especialização da investigação (que coloca palas ás pessoas para a compreensão geral do funcionamento do todo), a corrupção de resultados das investigações (subornos de certos políticos e instituições para estudos com resultados que lhes são favoráveis) e a ideologia de certos economistas são factores que condicionam o funcionamento correcto desta ciência social. Considero pessoalmente este último factor essencial para o falhanço da economia como ciência. Penso que esta profissão não pode de forma alguma ser ideológica, tem de buscar ao máximo a verdade científica e não basear as escolhas segundo certos dogmas como a “eficiência dos mercados”.
Como disse anteriormente o Sistema-Mundo é incrivelmente complexo e está minado por motivações e estímulos comportamentais corruptos e interesseiros. Devemos desenvolver sim vectores e ideais que levem à justiça, igualdade, felicidade e sustentabilidade mas não de forma fechada e fundamentalista. A perceção e compreensão da complexidade pode ser um caminho.
Hugo Confraria
segunda-feira, 14 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Sobre o capitalismo e o desejo
Livro A Ilha Deserta – Artigos, entrevistas, textos esparsos de Gilles Deleuze.
Capítulo 35: Sobre o capitalismo e o desejo (com Felix Guattari) – 1973.
(...) Todas as sociedades são ao mesmo tempo racionais e irracionais. São forçosamente racionais pelos seus mecanismos, rodas, sistemas de ligação, e mesmo pelo lugar que reservam ao irracional. Porém, tudo isso pressupõe códigos ou axiomas que não são produtos do acaso, mas que também não possuem uma racionalidade intrínseca. É como na teologia: tudo é perfeitamente racional se se postular o pecado, a imaculada concepção, a encarnação. A razão é sempre uma região talhada no irracional. De modo algum ao abrigo do irracional, mas uma região atravessada pelo irracional, e definida apenas por um certo tipo de relações entre fatores irracionais. No fundo de toda razão, o delírio, a deriva. Tudo é irracional no capitalismo, exceto o capital ou o capitalismo. Um mecanismo da bolsa é perfeitamente racional, podemos compreendê-lo, aprendê-lo, os capitalistas sabem servir-se bem dele, e, no entanto é completamente delirante, é demente. É nesse sentido que dizemos: o racional é sempre a racionalidade de um irracional. Há algo que nunca foi suficientemente notado n’O Capital de Marx: até que ponto está ele fascinado pelos mecanismos capitalistas, precisamente por serem simultaneamente dementes e funcionarem muito bem. Então, que é racional numa sociedade? É – estando os interesses definidos no quadro desta sociedade – a maneira como as pessoas os perseguem, perseguem a sua realização. Mas, por baixo, há desejos, investimentos de desejos que não se confundem com os investimentos de interesse, e dos quais os interesses dependem na sua determinacão e mesmo na sua distribuição: todo um enorme fluxo, todas as espécies de fluxos libidinais-inconscientes que constituem o delírio desta sociedade. A verdadeira história é a história do desejo. Um capitalista ou um tecnocrata atuais não desejam da mesma maneira que um mercador de escravos ou que um funcionário do antigo império chinês. Que as pessoas numa sociedade desejem a repressão para os outros e para si mesmas; que haja sempre pessoas que queiram lixar outras e que tenham a possibilidade de fazê-lo, o “direito”de fazê-lo, é isso que manifesta o problema de um liame profundo entre o desejo libidinal e o campo social. Um amor “desinteressado”pela máquina opressiva: Nietzsche disse coisas belas sobre o triunfo permanente dos escravos, sobre a maneira como os azedados, os deprimidos, os débeis nos impõe o seu modo de vida.
Este artigo foi sugerido pelo meu amigo e colega de casa Ennio Balbi Flores.