segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Eleições

Não consigo de deixar de registar com alguma estupefacção que, atendendo ao momento em que vivemos, atendendo às queixas diárias que todos ouvimos da boca dos cidadãos portugueses, no café, na faculdade, no autocarro, etc., depois de termos num curto espaço de tempo legislativas e presidenciais, o que mudou? A resposta a esta questão todos nós já a sabíamos antecipadamente: nada mudou. Reeleições. Assim foi a vontade de quem votou (e de quem não votou também...). O povo queixa-se, mas quando chega a hora de puder mudar algo, nada muda. Assim, duas interrogações me assolam a mente: estará a classe política completamente desacreditada e o povo não acredita que algo mudará e tem mais com que se preocupar que escutar os seus políticos? Ou será que nós somos, como dizia um alemão radicado em Portugal, um povo que refila muito mas reclama pouco? Para reflectir...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Global Warming or just another Bubble?

"O ritmo de extracção dos recursos naturais e o crescendo das emissões poluentes resultantes da indústria e dos transportes, foram acelerados à medida que o modo de produção capitalista se impôs mundialmente. Este modo de produção, a par da sua força revolucionária inicial, é, por natureza, predatório e desregulado. E o seu poder adaptativo tem, inclusive, o condão de contaminar as alternativas políticas e económicas socialistas que se formaram em diversas regiões eurasiáticas, pressionando-as a “competir” com ele em vários tabuleiros e, assim, levando-as a não conseguirem originar um forma de produção industrial alternativa e sustentável. E, quando não vai lá através do binómio competição-sedução, recorre aos bloqueios ou à agressão bélica."
Demétrio Alves

Esta coisa do aquecimento global sempre me fez um pouco de espécie. A partir do momento que vi o "The Inconvenient Truth" (2006) do Al Gore fiquei a achar que as excessivas emissões de CO2 que fazemos seriam um grave problema dentro em breve. Por outro lado, vi alguns climatólogos vir dizer que ele era um alarmista e interesseiro, porque ainda não havia provas científicas concretas que existia uma correlação entre a grande quantidade de CO2 existente na atmosfera e a subida das temperaturas.

Nos anos seguintes assistimos a um novo tipo de marketing intitulado "Greenwash", em que o objectivo seria dar à opinião pública uma imagem ecologicamente responsável dos serviços ou produtos prestados por uma empresa, tendo no entanto a organização uma actuação contrária aos interesses ecológicos. Hoje em dia todos os produtos são amigos do ambiente. Este fenómeno mostrou o poder adaptativo e maléfico do capital.

Obviamente que passar para um consumo energético sustentável é o futuro, mas existem problemas muito mais importantes que este para já. As desigualdades sociais, a pobreza, a educação para todos, a perda de biodiversidade, o acesso à água potável nalgumas populações, o consumo desmedido de matérias-primas, são questões tão ou mais importantes mas que não têm tido tanto patrocínio financeiro devido, principalmente, a não serem tão lucrativas como as energias renováveis.

Outro argumento muito bem descrito neste texto acima é que as energias renováveis servem de ataque aos BRIC (Brasil, Rússia, India e China). São países a crescer muito mais que os ocidentais e que por isso já são potências Geopolíticas que podem ferir a Hegemonia Imperialista Anglo-Saxónica. Dizer como foi dito em Copenhaga que estes países têm de reduzir as emissões poluidoras é não olhar para a própria história sabendo que a supremacia actual Ocidental foi conseguida através da Revolução Industrial.
A maioria das emissões que foram feitas em termos temporais são dos países desenvolvidos. Eles têm uma dívida ecológica para com os países em desenvolvimento. É um problema complexo porque não temos moral para impedir que os países mais pobres usem a energia mais barata (petróleo) para se desenvolver como nós fizemos, por outro lado, se isso acontecer as populações gigantescas dos BRIC vão poluir tanto que aí sim os problemas ecológicos serão sérios.

Veremos...

O texto acima vale o tempo despendido nele.

Hugo Confraria

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Degrowth?

“Since there is no way to increase the capacity of the environment to bear the [economic and population] burdens placed on it, it follows that the adjustment must come entirely from the other side of the equation. And since the disequilibrium has already reached dangerous proportions, it also follows that what is essential for success is a reversal, not merely a slowing down, of the underlying trends of the last few centuries.”

Paul Sweezy


As economias capitalistas necessitam incessantemente de aumentar a sua produção para estarem saudáveis. Caso isso não aconteça as consequências para as populações, no modelo existente, geralmente são o aumento do desemprego e da pobreza das classes mais desfavorecidas. Ora, se realmente só temos este planeta e se os recursos que existem nele são limitados, se a regeneração de materiais que consumimos e destruímos não for eficaz, esses recursos vão acabar. As consequências disso são por ventura o que aconteceu na Ilha da Páscoa, pondo a hipótese que todo o planeta é a Ilha da Páscoa.
Este raciocínio tem imensas variáveis e algumas falhas, mas a ideia é que realmente se chegarmos aos 9 Mil Milhões em 2050 alguém vai ter de consumir menos. A lógica do capital vive de mão dada com a lógica do crescimento. Algo irá colapsar. Este texto de John Bellamy Foster expande algumas destas ideias.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Grécia quer construir “muro” na fronteira com a Turquia

A construção de um muro entre a Grécia e a Turquia, com o intuito de resolver o “problema” da imigração, “ é uma solução de curto prazo, que não vai resolver o problema de forma estrutural”, diz o presidente da EU.

Não, não verdade não resolve o problema de forma estrutural. O problema de estrutura da nossa sociedade é a crença num modo de vida material, competitivo, que deteriora as relações humanas, ao ponto de sentimentos como este voltarem a reaparecer no nosso mundo.

Construção de muros entre povos não é uma forma de vida positiva e não é uma forma de vida racional. Esta forma de vida, resultante das práticas capitalistas, cria sentimentos de ódio entre aos povos, ao invés de amizade e cooperação. Amizade e cooperação culminariam numa paulatina compreensão dos outros, aceitabilidade das culturas, e entreajuda. O sistema é tão mesquinho que consegue, em vez de unir os que se encontram em posição semelhante, separa-los pelos sentimentos mais cruéis como ganância, inveja, ódio, ou seja, sentimentos que nascem da constante postura de quem vive competindo com o próximo, ao invés de mentes viradas para a cooperação.


http://pt.euronews.net/2011/01/03/grecia-quer-construir-muro-na-fronteira-com-a-turquia/

“EL ALTO DE PIE, NUNCA DE RODILLAS”

UN NUEVO LEVANTAMIENTO CONTRA EL

gasolinazo en diciembre en El Alto (2010).

Pablo Mamani Ramirez1

1 Pablo Mamani Ramírez es aymara y sociólogo, responsable de la revista Willka, y estudiante del posgrado en Estudios Latinoamericanos de la UNAM-México.

El Alto, 31 de diciembre de 2010

El contexto y los hechos

Despues de aquellas historicas jornadas de octubre de 2003 donde se derrrocó al Presidente neoliberal, Gonzalo Sánches de Lozada, y mayo-junio de 2005, en la que se impide que asuma la Presidencia de la república Hormando Vaca Diez (presidente del senado de entonces y representante de la oligarquía cruceña), hoy 30 y 31 de diciembre de 2010 a 7 y 5 años de aquel hecho, El Alto nuevamente vive otro de los momentos historicos dado que ha vivido el tercer día de paro total hasta derrotar el gasolinazo sin la previa convocatoria de las entes patrices como suele ser de la Federacion de las Juntas Vecinales (FEJUVE-El Alto), COR-El Alto (Central Obrera Regional de El Alto), los Gremiales, y otros, en contra del Decreto Supremo No. 748 de Evo Morales considerado como un gasolinazo que según los sectores sociales movilizados afectaba gravemente a sus magras economias porque hubo un incremento de pasajes de autotransporte, alimentos, y otros en 100 y 150%. Hasta que la noche de 31 de diciembre a las 22:00 pm. de 2010 Evo Morales se ha visto obligado abrogar el Decreto Supremo 748.

El Decreto gubernamental del domingo 26 de diciembre autorizaba la elevación de gasolina y diesel en 83 y 72% respectivamente, hecho que no había ocurrido hace buen tiempo, incluso en los llamados gobiernos neoliberales. El argumento central del gobierno era para nivelar los precios de los hidrocarburos a precios internacionales y de ese modo combatir el contrabando de estos combustibles. Dado que, según el gobierno, este hecho desangraría la economía del estado en 380 millones de dolares anuales, de los cuales 150 millones, serían efectivamente producto del contrabando. Es decir, la gasolina y diesel en Bolivia efectivamente es el más barato que en otros paises como Perú o Brasil. Pero esto según los alteños y movimientos indígenas originarios no debería ser de este modo tratandose de un gobierno de “izquierda” y re-electa con el 64% de apoyo de la poblacion, y con el 81% en la ciudad de El Alto.

A su vez el discurso presidencial de la noche del 29 de diciembre fue calificado por muchos sectores alteños de falso, demagógico, soberbio y discriminador porque aumentaba en 20% los salarios a solamente a 4 sectores sociales (magisterio, salud, policia y militares) y el resto como los gremiales, campesinos indigenas originarios, comerciantes minoristas, profesionales independientes, no gozaban de este incremento (ver foto de una mujer aymara vendiendo dulces en el dia de las movilizaciones en la Ceja-El Alto). En ello se dejó notar una vision clasista al ser una oferta de un aumento salarial a sectores que son asalariados pero no ha sido explicito ni fáctico sobre el aumento o beneficio que gosaría los sectores no asalarios, en ese sentido éste, resultaba siendo lapidario para estos sectores, pese al anuncio de la creación de un “seguro agricola” para los pequeños productores o campesinos y originarios y proyectos de riego (300 mil dolares por municipio) para muchos lugares del pais.

En sintesis, muchos sectores sociales alteñas (como el Comité de Emergencia contra el gasolinazo compuesta por organizaciones independientes de diferentes sectores no afines a organizaciones partidarias del gobierno) y de otras regiones del país han pedido la inmedita abrogación o anulacion del D.S. 748 (que finalmente se dio) porque de lo contrario, se sostenía, que se radicalizaría las medidas de presión desde el dia lunes 3 de enero de 2011. Dentro de ello tambien es cierto que hubo grandes intereses de la derecha y de los grupos de poder para colapsar al gobierno, ante el cual estas mismas organizaciones han rechazado rotundamente tal posibilidad.

“Repudiamos las acciones oportunistas del Partido Sin Miedo (del ex alcalde de La Paz), y de los representantes de la Oligarquía Cruceña y Paceña, el Comité Civico de Santa Cruz, que distraen a la opinion pública con sus marchas y discursos en pro de los sectores sociales pobres y los vilipendiados por más de 518 años…” (Comité de Emergencia contra el Gasolinazo, 30/12/2010).

Los hechos fácticos de las movilizaciones sociales para el dia 30 de diciembre han sido marchas multitudinarias en La Paz y en varios otros departamentos (Oruro, Potosi, Cochabamba, Santa Cruz y localidades mineras de Llallagua, Uncia y en la propia region del Chapare-Ivirgarzama donde se instaló un bloqueo de caminos entre Cochabamba y Santa Cruz por los mismos cocaleros de donde proviene Evo Morales), quema de algunos edificios gubernamentales (como la Vicepresidencia del estado y algunos ministerios), sede de organizaciones calificadas de “oficialistas”, peaje de autopista (El Alto-La Paz), gritos de “renuncia” del Presidente y anulacion del mencionado Decreto.

En cuanto se refiere a la ciudad de El Alto (a 4 mil metros sobre el nivel del mar), unos bajaron durante el día 30 a la hoyada (la ciudad de La Paz-sede político) y otros como se adelantó arriba tomaron o demolieron con pedradas las gacetas y el peaje de autopista El Alto-La Paz (que quedó en escombros, ver foto más abajo), con llantas de autos e incendiaron movilidades oficiales, entre otros hechos. Otro de los lugares atacados con mucha fuerza (un poco más temprano a las 10:30 aproximadamente) fue el edificio de la FEJUVE-El Alto, la COR-El Alto, al ser considerados sus dirigentes “vendidos al gobierno y traidores a las luchas de octubre y a sus bases sociales” y tambien “por estar divididos” entre la facción de Braulio Luna (MAS) y Fany Nina (MSM). El edificio de la FEJUVE en este hecho quedó con vidrios destrozados, puertas de hierro rotas, al igual que el edificio de la COR-El Alto y en la noche incendiada los muebles, papeles, etc. Y dentro de tubulto aparecío de improvisto un joven encapuchado de negro con un viejo fusil mauser pidiendo al gobierno que abrogue el decreto del gasolinazo.

Ahora en todo ello se escucharon estribillos como ésta: “Evo y Goni la misma porqueria”, “El Alto de pie, nunca de rodillas”, “renuncia de Alvaro Garcia Linera y Evo Morales”, o “referendun revocatorio”, “anulacion del D.S. 748”. Tambien se intentó atacar en la media mañana del 30 a la Alcaldia de El Alto (hoy dirigido por Edgar Patana, ex dirigente de la COR-El Alto), y en la noche fue incendiada al ser acusados en tanto parte del gobierno de Evo Morales y como complice del gasolinazo. Aunque en la mañana no se efectuo tal toma, pero si en la noche según algunos medios de comunicación. Un conjunto de grupos dispersos en diferentes lugares de la Ceja de El Alto, se juntan ese dia, y más tarde para terminar con el colapso total del peaje del autopista, anteriormente mencionado. Tambien se intentó tomar las oficinas del propio Alcalde Patana ubicado en la Avenida 6 de marzo. Todo ello se observa en las fotos que adjuntamos. En uno de ellos se observa el edificio de FEJUVE con vidrios rotos, luego una gigantografia del Edgar Patana derribada y quemada sobre la Avenida 6 de marzo. Y más luego se observa la quema y destruccion del peaje. De otro lado, las marchas de la hoyada fue también muy importante porque en ellos participaron sectores como el Consejo Nacional de Ayllus y Markas del Qullasuyu (CONAMAQ) que crítica al gobierno en el tema de mineria y contaminación (caso de Corocoro), y tambien diferentes distritos de la ciudad de El Alto, jovenes de las laderas de La Paz, etc. Es decir éste ha sido una jornada muy tensa como parte de un creciente descontento de la poblacion ante el mencionado gasolinazo y otras leyes que fueron aprobados sin mucho diálogo con diferentes sectores sociales.

El gobierno con la medida tomada había un claro viraje hacia un liberalismo de mercado con rostro indio porque re-aparecía de forma oficial la ley de oferta y demanda. Y por otra éste era un abierto reconocimiento del fracaso de la “nacionalización de los hidrocarburos”.

(…)

En este sentido queda claro que la descolonización del estado se está convirtiendo en una falsa descolonización. Porque de todos modos está vigente y además ampliado el estado colonial y liberal dado que se mantiene los matrices centrales del ejercicio del poder en una lógica de mando-obediencia que es una de las características del estado liberal-colonial.

(…)

En este sentido, se puede decir que El Alto una vez más ha mostrado una gran capacidad de movilización e incluso acciones radicales para dejarse escuchar y dejar notar su gran malestar social, aunque el ministro de gobierno Sacha Llorenti, haya minimizado y calificado estas acciones como de pequeños grupos y de vándalos. Es en este sentido que el mensaje ahora es claro de que si no se cambia o se re direcciona las políticas públicas y las nuevas leyes que se aprueban en la Asamblea Plurinacional, se puede volver a vivir las mismas jornadas de octubre de 2003 y 2005 en esta ciudad y en el resto del país. Esta afirmación se fundamenta en lo observado en los últimos tres días de movilizaciones y lo que ocurrió en otras ciudades y los anuncios de que el lunes 3 de enero de 2011 las movilizaciones volverían con gran fuerza hasta lograr su objetivo: o anulación o renuncia.