Raghuram Rajan
A pergunta que a Rainha de Inglaterra fez à “London School of Economics” tem todo o sentido. Com tanto economista, tanto especialista, tanta gente com tanto conhecimento sobre a história e sobre o comportamento dos mercados como foi possível chegarmos ao estado em que o Mundo está?
Este investigador (ex-economista chefe do FMI) ilucida-nos neste artigo sobre alguns dos factores que levaram a isto.
A economia é uma ciência social extremamente complexa, cheia de interdependências, não determinística, adaptativa, em que o funcionamento do sistema se parece muito mais com algo caótico do que com algo em equilíbrio. Por outro lado, a maioria dos modelos que os economistas utilizam partem de pressupostos como a existência de equilíbrio entre Procura e Oferta; que o consumidor tem acesso a toda a informação existente no mercado e que a concorrência é pura e perfeita, ou seja, infinita. Ora, isto evidentemente está errado, são apenas condições para podermos tentar calcular e prever uma série de acontecimentos. Se utilizamos modelos em que os pressupostos estão à partida errados, então claramente os resultados vão sair todos enviesados.
A especialização da investigação (que coloca palas ás pessoas para a compreensão geral do funcionamento do todo), a corrupção de resultados das investigações (subornos de certos políticos e instituições para estudos com resultados que lhes são favoráveis) e a ideologia de certos economistas são factores que condicionam o funcionamento correcto desta ciência social. Considero pessoalmente este último factor essencial para o falhanço da economia como ciência. Penso que esta profissão não pode de forma alguma ser ideológica, tem de buscar ao máximo a verdade científica e não basear as escolhas segundo certos dogmas como a “eficiência dos mercados”.
Como disse anteriormente o Sistema-Mundo é incrivelmente complexo e está minado por motivações e estímulos comportamentais corruptos e interesseiros. Devemos desenvolver sim vectores e ideais que levem à justiça, igualdade, felicidade e sustentabilidade mas não de forma fechada e fundamentalista. A perceção e compreensão da complexidade pode ser um caminho.
Hugo Confraria
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