quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Por falar em transparência e isenção...


Desde 2008 que as agências de rating me provocam algum mau estar. São, sem sombra de dúvida, uma das causas da crise financeira internacional que despoletou por volta de 2007 e que atingiu verdadeiramente o nosso país no ano de 2008. No entanto, o “modus operandi” destas instituições em nada se alterou. Ou seja, continuam a gozar de uma impunidade que praticamente lhes permite fazerem o que bem entenderem. O mais interessante deste assunto é que 3 delas detêm praticamente 100% da quota de mercado (S&P, Moody’s e Fitch).E mais curioso ainda é que são todas norte-americanas (apesar disto, não me tomem com um anti-EUA). Definem-se como independentes e transparentes! Fitch: “Fitch Ratings is a global rating agency committed to providing the world’s credit markets with independent and prospective credit opinions, research, and data”. Moody’s: “Moody's is an essential component of the global capital markets, providing credit ratings, research, tools and analysis that contribute to transparent and integrated financial markets”. Tendo em conta que, sendo as empresas que desejam obter uma classificação de risco para os seus produtos financeiros que lhes pagam por esse serviço, não estaremos nós perante um contra senso de transparência e isenção? É também do conhecimento de muita gente que são estas mesmas agências que reprovam determinados produtos financeiros, dando posteriormente conselhos sobre eventuais produtos que podem ser colocados no mercado com uma boa classificação. E uma instituição só pode lançar produtos financeiros no mercado se estiverem devidamente classificados e certificados quanto ao seu risco. São estas agências que no fundo decidem como, quando e onde lançar um produto financeiro. São estas mesmas agências que, poucas semanas antes da falência do Lehman Brothers, atribuíam-lhe uma excelente nota de risco. Já para não falar de muitos “CDO’s”… Esta semana o BES rescindiu contracto com a Fitch. Em menos de 3 meses a Fitch cortou o “rating” do BES em 3 posições! A Dagong, uma empresa chinesa de notação de risco, decidiu cortar o “rating” dos EUA de A+ para AA. As outras, as três detentoras de quase 100% do mercado e americanas, continuam a atribuir notação máxima “AAA” ao estado norte-americano. No entanto, muitos analistas dizem que as motivações da Dagong são meramente políticas. As outras três não. São transparentes e independentes…

1 comentário:

  1. Isso é uma das maiores palhaçadas do Sistema Financeiro. Quem avalia a situação do mercado são agências privadas, extremamente influenciáveis e voláteis ao interesse político e estratégico de agentes que querem tirar proveitos dessas avaliações.

    Ou os Estados simplesmente ignoram a existência e influências dessas agências ou criam uma nacionalmente em que os parâmetros de análise dessas instituições sejam sabidos por todo o público.

    A influência que actualmente têm essas agências não pode, de maneira alguma, ser deixada a interesses privados.

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