Mesmo livro, cap. 30: Capitalismo e esquizofrenia, com Felix Guattari (1972).
Questão: "O Anti-Édipo tem como subtítulo Capitalismo e esquisofrenia. Qual é a razão disso? Vocês partiram de quais idéias fundamentais?
A idéia fundamental talvez seja a seguinte: o inconsciente “produz”. Dizer que ele produz significa que é preciso parar de tratá-lo, como se o fez até então, como uma espécie de teatro onde se representaria um drama privilegiado, o drama de Édipo. Nós pensamos que o inconsciente não é um teatro, mas antes uma usina. Artaud disse algo belíssimo sobre isso. Ele disse que o corpo, e acima de tudo o corpo doente, é como uma usina superaquecida. Não um teatro, portano. Dizer que o inconsciente “produz”, significa dizer que ele é uma espécie de mecanismo que prodiz outros mecanismos. Para nós, isso quer dizer que o inconsciente nada tem a ver como uma representação teatral, mas como algo que poderíamos chamar de “máquinas desejantes”. É preciso que nos entendamos sobre o termo “mecanismo”. Como teoria biológica, o mecanismo nunca soube compreender o desejo. Ele o ignora, fundamentalmente, porque não consegue integrá-lo em seus modelos. Quando falamos de máquinas desejantes, do inconsciente, do incosciente como um mecanismo de desejo, queremos dizer algo bem diferente. Desejar consiste no seguinte: fazer cortes, deixar correr alguns fluxos, antecipá-los, cortar as cadeias nas quais eles se enlaçam. Todo esse sistema do inconsciente ou do desejo que corre, que corta, que deixa correr, esse sistema absolutamente literal do inconsciente, ao contrário do que pensa a psicanálise tradicional, esse sustema nada significa. Não há ai nenhum sentido, nenhuma interpretação a ser dada, isso não quer dizer nada. O problema é saber como funciona o incosciente. É um problema de uso das máquinas, de funcionamento das “máquinas desejantes” (...).”
Gosto da parte que ele diz que o sistema absolutamente literal. Abaixo aos papais e mamães, e interpretações singulares... quero frango assado no mínimo...
Parabéns pelo blog.
Nota: Esta publicação foi-me pedida pelo meu amigo Ennio, em forma de resposta ao mister Huguinni.